04 fevereiro 2013


     Era uma vez... quem me dera que a história começasse assim, pois sendo desta forma, seria um conto de fadas, e como todo conto de fadas, terminaria com um final feliz. Minha história não terminou, mas a parte do clímax e seus problemas não cessam.
     Ah os contos de fadas!!! Quem os inventou? De acordo com o que pesquisei um site afirmava : O lance nos contos de fadas, é que nunca se sabe quem inventou e de onde eles vêm. Os contos foram sendo contados e repassados por gerações através dos anos até o dia em que escritores (geralmente europeus) como os Irmãos Grimm ou Charles Perrault transcrevem o conto para um livro.
     Eles foram criados obscuros, depois é que a Disney transformou em sonhos. Quando eu era criança, sempre torcia para o bem, mas nunca quis ser a princesa, por que? Não sei. Ao crescer fui reparando que tem sempre um pobre que casa com alguém muito rico, é, realmente assim dá para viver feliz para sempre.        O conto que eu mais me identifico é o da Alice no país das maravilhas, ela não está atrás do príncipe encantado, ou de qualquer outra baboseira, ela quer fugir do mundo real, cai na toca do coelho, vivi absurdos, como se estivesse vivendo um sonho, é muito curiosa e predestinada. Eu quero fugir do mundo real, sou curiosa e quero tomar chá com o chapeleiro. Fora as crises de identidade que ela tem no decorrer da história, por isso a famosa conversa com a lagarta azul. "Somos todos loucos" como afirma o gato, com seu sorriso intrigante.
     Há uma parte do diálogo de Alice com a Lagarta que a resposta que ela dá, tem muito a ver comigo.
Lagarta: -"Quem é você?"
Alice: - "Eu... eu mal sei, Si, neste exato momento... pelo menos sei quem eu era quando me levantei essa manhã, mas acho que já passei por várias mudanças desde então"
      Durante a história, ora Alice cresce, ora diminui, o que ao meu ver seria a mudanças da vida, a maturidade, os erros, os acertos, é tudo muito confuso para ela, e as vezes da medo, como as vezes criamos uma coragem surpreendente. Me sinto como Alice, perdida num mundo grande demais.
     Depois em um site que pesquisei, o que li, faz muito sentido, pois sou exatamente assim: "A Lagarta, na verdade, pode ser vista como a própria mente de Alice. As questões que são levantadas pela Lagarta são as mesmas que a protagonista se preocupa em responder a si mesma: é ela questionando sobre si; sobre suas mudanças tão rápidas, drásticas e espantosas."
"Numa parte do capítulo, quando Alice ameaça ir embora, a Lagarta a surpreende afirmando que tem algo importante para falar. "Controle-se", é o que diz para a menina. Interessante o conselho do personagem: em meio ao turbilhão formado por confusão, mudanças súbitas e perguntas difíceis de serem respondidas, controlar-se talvez seja um atalho a ser considerado. Soa como uma tentativa de criar calmaria em meio ao caos."
     Por isso gosto tanto deste conto, pois questiona sempre sobre as mudanças, altos e baixos, quem somos, estou numa constante luta de saber quem sou, o que devo fazer, em que sou boa, se sirvo para algo e etc.... Mas nunca obtenho respostas. Parece um questionamento sem fim, e quanto mais eu cresço, menos eu sei. Engraçado que eramos para estar bem preparados, saber o que queremos principalmente com a fase adulta, mas é na infância que sabemos o que queremos e quando crescemos nos perdemos em meio a tantas oportunidades, desafios, dúvidas e muitas vezes muros inquebráveis.
     Após muito pensar, tenho momentos de Cinderela, onde passo o dia arrumando a casa, lavando roupa, fazendo comida e blá blá blá, mas não tenho sapatinho de cristal, nem convites para o baile, e mesmo que tivesse não iria, essa é a diferença entre mim e Cinderela. Odeio festas.
Não sou a mais bela de todas, nem branca como a neve, então nada de branca de neve. Nada de cabelos longos para mim, já descarta a Rapunzel, pode ser que tenha um pouco da Bella, ela gosta de ler e de simplicidade, mas ela sonha com algo a mais, eu quero esse algo a mais, mesmo assim, prefiro a Alice. Contos e mais contos, vamos voltar a realidade...
     Sempre gostei de escrever, acho que foi um modo que encontrei de desabafar e não ouvir críticas, posso escrever e o papel só precisa ficar ali caladinho, sendo usado para meus devaneios.
     Antigamente eu escrevia direto, sobre tudo, encontrava inspiração até em uma embalagem de bombom. Mas ultimamente, parei, não consigo, até escrevo, mas descarto em seguida. Não quero falar da mesma solidão, do mesmo vazio, do mesmo desejo, da mesma tristeza, da mesma angustia, do mesmo problema. Chega! Ninguém merece, parece até aquelas músicas chicletes, impregna e não sai mais, então agora estou escrevendo as mesmas ladainhas, mas descartando, ou ainda guardo em uma gaveta.
Quero encontrar algo que me inspire a escrever ensinamentos, sentimentos bonitos e alegres, algo que faça as pessoas rirem, ou façam seguir em frente, lutar, conquistar. Mas como posso escrever algo que nem mesmo eu consigo sentir?
     Ando muito triste, digo até que sou a depressão em pessoa, fico esperando meus amigos me abandonarem a qualquer minuto, mas eles são os melhores, embora de vez em quando me dê a louca e comece a ter uma raivinha passageira deles, quando vejo que passearam sem mim, ou não me contaram alguma coisa. Mas entre os altos e baixos, eles nunca me abandonaram, não to falando de me deixar na mão, que aqui e aculá acontece, mas estou falando de realmente me deixarem só, irem embora. Os que ficaram, os que estão comigo, que afirmo serem os melhores, os amo demais. Tanto que bate a saudade de alguns anos atrás, de quando eramos moleques  quando chorar era só por conta de um arranhão. As vezes sinto numa intensidade tão grande, que ninguém pode me consolar. E maior ainda quando vejo que a voltagem da saudade deles é menor.
     Me considero até otimista para uma pessimista que sou. Mas as vezes sinto que não vou chegar lá, sou carregada pela correnteza, sem saber a onde ir, o que devo fazer, estou seguindo, agora sem fazer planos, porque antes dava sempre errado. Mas não consigo seguir assim, sem me programar, pois assim me sinto ainda mais perdida. Eu sei o que eu quero na verdade, mas é difícil chegar lá, não que tenha que ser fácil, mas parece impossível.
     Sabe o mundo? O quanto ele é grande, eu quero conhecê-lo todo, quero passar o ano novo na Times Square, o inverno em Londres, a primavera no japão e o verão no Caribe. Veneza, Roma, Paris, Portugal, quero ir a tantos lugares.
     Poderia ser estilista, amo moda, poderia ser pintora, amo pintar, poderia ser fotógrafa, amo fotografia, poderia ser escritora, amo escrever. Poderia sim, mas estou em Direito. Não quero parar, para não ouvir besteiras alheias, mas também, pelo medo de ter perdido tempo, e por as vezes ter raiva da vida e dizer que só o que importa é o dinheiro, então enterro meus sonhos e sigo em direito, ganhando tudo pela frente.
      Mas tenho medo de não ser feliz, tenho medo de no final serem só cereais. "E no fim do arco iris, não há ouro, "são apenas cereais" (Click)" Alguém agora finalmente está entendendo o que eu quero dizer? Eu estou sendo guiada, penso no ouro do final do arco iris, só pensando no ouro, por isso não estou feliz, por isso esteja perdida, estou com medo de chegar lá e não me satisfazer, de mudar meu jeito de ser, tenho medo de não ser mais aquela menina que um dia, no quintal da casa, encostada na pia disse:
"Mãe, porque as pessoas são assim?"
"Porque as pessoas mudam minha filha" e então a garotinha responde " Mãe, eu nunca vou mudar". Sabe essa garotinha espilicute? Não quero nunca deixar de ser ela. As vezes noto meu egoísmo, noto as pessoas me corrompendo e eu deixando que façam isso, tudo para tentar ter algo diferente, alguma oportunidade, tentar me sentir completa e feliz, eu sempre gostei de ser diferente, mas ser diferente está acabando comigo, me pego seguindo a fila das figuras repetidas e é aí que eu saio da fila de novo, só que é um ciclo sem fim. Tudo porque estou visando o ouro, mas não sou assim, aquela garotinha não queria saber o que tinha no final do arco iris, ela queria aproveitar a jornada, o final seria uma surpresa agradável. É isso o que eu quero, quero aproveitar a jornada, eu quero viajar, passear, brincar, pular, dançar, correr, andar de bicicleta, pular o muro, cantar, chorar, comer doces, sorrir até doer as bochechas, eu quero VIVER.
     É capaz de termos uma overdose de lágrimas? Porque acho que daqui a pouco terei. Me sinto no fundo do poço, alguém me estapeie, porque estou sendo criança, imatura, descrente, preguiçosa, inconsequente. Eu sou capaz, eu só não vejo isso, vejo pessoas encontrando força na maior das dificuldades, por mais que eu tenha problemas, não chegam a ser o fim do mundo, mas porque não consigo encontrar essa força? Para mim tudo ta errado, tudo é triste, não sou capaz. Cheguei a pensar que possa até ser depressão, única explicação lógica, para meu estado mental de inferioridade. As pessoas falam que é besteira minha, "frescura", cheguei a pensar que sim, mas eu não consigo caramba! Acho que preciso de algo que me estimule, só isso, e ainda não o encontrei. Por mais que as coisas não estejam como eu quero, não estou triste, nem animada, estou apenas bem.
     Disse a mim mesma que gosto de simplicidade, odeio a pessoa medrosa que sou, e por ser medrosa, busco Drummond, Caio, Clarice, Bernardi, Shakespeare, Charles Bukowski e muitos outros para me guiarem, lendo o que sentiam, não me sinto perdida, pois sei que não sou a única, eles sentiam, sentem a mesma coisa, eles também, eram e são tristes por natureza, não sei muito da vida deles, mas sei que Tati Bernardi tomava antidepressivos.
     Sou uma romântica meio as avessas. Adoro filmes, livros e seriados românticos, mas odeio os exageros deles, e não sei como reagir aos atos românticos. Nem mesmo sei amar direito, porque ou eu amo até sufocar, ou faço sofrer não o amando.
Sobre ter alguém, eu quero, mas não agora, não quero me prender a nada, a nenhum lugar, a ninguém, não agora, porque se eu amar quero amar por inteiro, e nesse momento a minha atenção está voltada a outros problemas. Mas Deus nunca me abandonou, mesmo com minhas dúvidas sobre a fé, a perca da esperança e as vezes minha falta de crença nele. Sempre peço perdão e volto atrás, porque não quero acreditar que estou só, um dos meus maiores medos é ficar só. Quero e preciso me agarrar nele, acreditar nele, na força superior, se ainda não chegou ele sabe o que faz, o tempo de Deus é diferente do nosso, e sempre que choro lembro das palavras "Bem-aventurados os que choram porque serão consolados" (Mt 5.4)
     As vezes tenho vergonha de chorar tanto e por tudo, mas numa de minhas navegadas na net encontrei : "Os que choram são felizes por conseguirem preservar a sua natureza, sua vocação de ser gente. Por isso, chorar é uma virtude natural. À semelhança das demais bem-aventuranças, chorar é também um estado de alma, um modo de ser do discípulo de Jesus Cristo. Pedro chorou amargamente, ao perceber sua própria crueldade, quando negou a Jesus Cristo (Lc 22.62). Sua negação foi uma manifestação da indiferença desumana, mas suas lágrimas foram um sinal de que dentro dele existia um ser humano capaz de lamentar copiosamente sua própria desventura." "Chorar por chorar não indica felicidade, pode ser apenas uma reação fisiológica, uma descarga emocional. Esse choro é sinal de que ainda existe um ser humano com vida. Só os mortos não choram mais. O choro natural é um bem que todos possuímos. Mas não é sobre esse tipo de choro que Jesus está falando. No Sermão do Monte, chorar é mais do que uma função biológica ou uma reação emocional. É um estado de alma, uma virtude permanente. No caso dos discípulos, eles choram e são felizes, porque o choro vem como sinal da humanidade interior redimida."
     Enfim não sei mais o que dizer, na verdade tenho muito a dizer, mas há coisas que não se dá para explicar, que só irão entender se sentirem. É como diz Bob Marley "Explicar as coisas que eu sinto, é quase como explicar as cores para um cego"
     Decidi escrever, como forma de me analisar, tentar descobrir sempre um pouco mais de mim. Eu mudo a cada minuto, então assim fica difícil, acordo querendo tocar as estrelas, achando que nada é impossível, com a chegada da tarde, sinto que não posso ir longe, mas serei muito feliz com tudo o que Deus me der, mas infelizmente tem sempre a noite, é o pior momento, a pior hora, é ai que a vida reflete nos olhos, que aperta o coração, a lágrimas correm cheias de desejo, saudade e esperança, e a dor aumenta ao pensar que nada será como almeja.
     Feche o olhos e respire fundo, sigamos em frente. Como diz Caio " Desejei olhar para trás, mas o vento soprou avisando que é para frente que se anda". Bom, é alguma coisa assim :p
-TTzinha-

Um comentário:

  1. Minha fia '-' tive uma briga BONITA com a preguiça pra me deixar ler esse texto viu asuhasuhuashuhas

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